Tratamento cirúrgico na doença de Parkinson


A deficiência de vários neurotransmissores, em especial a dopamina, provoca alterações funcionais em estruturas localizadas profundamente no cérebro que estão envolvidas no controle dos movimentos. Enquanto algumas regiões ficam hiperativas, outras se tornam excessivamente inibidas. As tentativas iniciais de tratamento da doença de Parkinson consistiam em fazer microlesões nas regiões hiperativas para provocar melhora nos sintomas.

Com os aparelhos estereotácticos, o tratamento cirúrgico teve um grande avanço em comparação às cirurgias realizadas com os primeiros equipamentos da década de 1940. Esses aparelhos passaram a permitir a localização milimétrica de qualquer região do cérebro e diminuíram os efeitos adversos e complicações relacionadas à cirurgia. Hoje em dia, eles têm interface com computadores dentro da sala cirúrgica.

Porém, na década de 1970, com a introdução do medicamento levodopa, houve redução da indicação de tratamento cirúrgico para a doença de Parkinson, pois se pensou que a cura tinha sido descoberta. Foi somente após alguns anos, com o surgimento das flutuações motoras decorrentes do uso em longo prazo de medicações antiparkinsonianas, que a terapia neurocirúrgica entrou em evidência novamente.

Estereotaxia

consiste em lesões no núcleo pálido interno (palidotomia) ou do tálamo ventrolateral (talamotomia), que estão envolvidos no mecanismo da rigidez e tremor. Porém, a lentidão de movimentos responde melhor aos medicamentos. Essas lesões podem diminuir a rigidez e abolir o tremor. Todavia, nenhuma delas representa a cura da doença e são irreversíveis. O médico dirá se um paciente pode ou não se beneficiar do tratamento.

Estimulação cerebral profunda

no início da década de 1990, foi desenvolvida esta outra forma de cirurgia, na qual eletrodos são implantados em regiões do cérebro responsáveis pela manifestação dos principais sintomas da doença, como tremor e rigidez. Eles produzem uma estimulação contínua no tecido cerebral selecionado, reproduzindo os efeitos de microlesões, mas com a vantagem do procedimento ser reversível e não ter os riscos relacionados à lesão.

Por restabelecer a função dos sistemas neurais, a cirurgia funcional é uma das especialidades que mais cresce na neurologia, pois ela repercute diretamente na melhora da função global do paciente em conjunto com os medicamentos e as reabilitações. Entretanto, o tratamento cirúrgico para a doença de Parkinson deve ser analisado caso a caso pelo especialista quando os medicamentos falharem em controlar os sintomas.

Nem todos os pacientes podem se submeter ao procedimento cirúrgico, pois existem várias restrições, inclusive em relação a outras condições de saúde que ele possa ter. Além disso, qualquer cirurgia envolve riscos, que só um especialista pode avaliar frente ao quadro da doença do paciente e suas condições específicas. É importante ter em mente que a cirurgia não é uma cura e não dispensa o uso de medicamentos e outras terapias e cuidados.

Referências

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